Arquiteta colombiana ministra I workshop de técnicas de construções sustentáveis em terra crua

Profissional também vai participar de talk show sobre pesquisas em tecnologias sustentáveis na construção civil. Eventos são apoiados pelo Sebrae Paraíba.

 

Imagine uma casa que, em vez de engraçada e nada confortável para o clima brasileiro, usa recursos renováveis e é “respirável”, sem a incidência de mofo, por exemplo? Isso é possível graças às técnicas construtivas sustentáveis, como terra crua (ou taipa) e bloco de terra comprimida (BTC). Essas e outras tecnologias serão temas do primeiro workshop de técnicas de construções sustentáveis em terra crua, que será realizado na ONG Casa dos Sonhos, em Santa Rita, a partir desta sexta (12), até o domingo (14). O evento, promovido pela ONG, tem apoio do Sebrae Paraíba, UFPB, IFPB, Crea-PB, CAU-PB, Sinduscon e Politécnico de Torino.

A bioarquiteta colombiana Lucia Garzon, especialista em arquitetura sustentável com materiais naturais, não convencionais, a exemplo de terra, bambu, pedra e madeira, vai ministrar as técnicas de taipa de mão (pau a pique), taipa de pilão e BTC durante o workshop. As inscrições podem ser feitas até esta quinta-feira (11) por meio do link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScgtTCSgFNtChg9_N-PO6HWxzGcWY5BwII8tclYF2bySBSUmg/viewform. De acordo com a arquiteta e diretora da ONG Casa dos Sonhos, Patrícia Gigliola, essas técnicas são importantes porque, além de utilizar material extraído da própria natureza, o que garante zero desperdício, usa-se apenas 5% de cimento na massa para a estabilidade do tijolo.

“A indústria da construção civil é uma das que mais polui. Sendo assim, as opções alternativas de construção devem ser perseguidas sempre e a tecnologia de terra crua se adequa muito bem a isso por ser limpa e sustentável. Além disso, pode ser transferida para as comunidades. Dentro da realidade paraibana, ainda temos muitas construções de terra crua, que é a taipa, mas feita de forma errada. Por isso, o workshop é importante para a transferência da tecnologia de forma correta, já que, sendo bem feita, dura a vida inteira. Na Colômbia, por exemplo, usa-se bastante a taipa porque aguentam os abalos sísmicos da região”, afirmou Gigliola.

A gestora do projeto da indústria da construção civil do Sebrae Paraíba, Gorete Cirino, destaca que uma construção sustentável deve respeitar e aproveitar o clima na qual está inserida, combinando as técnicas e materiais da melhor forma. “Quando se fala em sustentabilidade na construção civil, deve-se levar em conta o processo na qual o projeto é concebido, quem vai usar os ambientes, quanto tempo terá sua vida útil e se, depois desse tempo todo, ela poderá servir para outros propósitos ou não. Para as empresas, é importante assumir a postura e prática da construção consciente nas mais diversas etapas da construção civil. Além de financeiramente viável, caracteriza uma empresa preocupada com a situação do planeta”, comentou.

Talk show aborda pesquisas em tecnologias sustentáveis

Nesta quinta-feira (11), a arquiteta colombiana, ao lado de profissionais da construção civil local que estudam a sustentabilidade no setor, vão participar de um talk show, no Sinduscon, com a participação de estudantes universitários e pesquisadores da área. O evento será às 19h. De acordo com a arquiteta Patrícia Gigliola, uma das principais carências desse segmento é o investimento em ensino e transferência de tecnologias sustentáveis, que acaba fomentando o preconceito em relação aos materiais sustentáveis.

“Na Casa dos Sonhos, por exemplo, a gente trabalha com o bloco de terra comprimida há mais de dez anos e funciona muito bem. Os benefícios dessa técnica são inúmeros, desde a parte de sustentabilidade até os da própria construção, como a acústica, o conforto térmico, além da inserção da comunidade neste conhecimento, ampliando o sentimento de pertencimento e consciência ambiental”, frisou.